OS DOIS LADRÕES, A CRUZ E O IMPEACHMENT




REESCREVENDO A HISTÓRIA


Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também. Respondendo-lhe, porém, o outro, repreendeu-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença? Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem: mas este nenhum mal fez. E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino. Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso. (Lucas 23.39-43).

Em toda história desta Nação Brasil vivemos tempos tão assolados por corrupção e escândalos. Não vale a pena nem ocupar o espaço deste artigo citando os mensaleiros, petroleiros, zelotes etc...

Uma coisa é certa, os ventos do Impeachment mais uma vez sopram no Planalto Central, ha uma sede de justiça humana rondando os ares.

No texto citado,  Lucas ensina que justiça humana e justiça divina não são a mesma coisa. Este texto faz referência aos "malfeitores", à "sentença", e à punição que "os atos merecem". Há, portanto, a afirmação implícita de que a transgressão da lei trás consigo consequências tremendas.

Já presenciei um Impeachment no Brasil, quem lembra do "Collor" nos anos 90, os anos passaram, mas, a sensação de impunidade é perceptível na perspectiva humana.

Lucas também nos deixa ver que aqueles dois homens estão perante dois tribunais diferentes: o dos homens (o romano) e o de Deus (a cruz). Uma coisa é claro que as sentenças dessas duas existências de justiça (o romano e a cruz) nem sempre coincidem.


As sentenças desses dois tribunais podem ser simultâneas. Isto porque o ladrão que blasfemava era culpado nas duas instâncias: culpado diante de Deus pelo que era, fizera e, agora, falava: blasfêmia; e culpado diante dos homens pelos seus próprios atos de marginalidade.

E mais ainda, este queria a impunidade em ambas as instâncias, ser salvo tanto da morte quanto da lei romana.

O que falar então destas autoridades que legislam em nossa Nação, mas, que estão atolados na corrupção e escândalos, haveria salvação para eles.

A sentença do tribunal de Deus pode ser alterada, mas ainda assim, tem que ser pago o que se deve aos homens no tribunal da sociedade humana.

Porque? o chamado "BOM LADRÃO", mesmo se convertendo (isto é: tendo sua dívida cancelada no tribunal de Deus: "quem Nele crê não é julgado"), ainda assim, recebe a condenação humana até o fim.

É preciso esclarecer alguns pontos: 

1 - A justiça humana não conhece o conceito de arrependimento pela simples fato que nenhum juiz da terra pode anular sentenças em função do arrependimento do réu. Hoje por exemplo está em moda a "delação premiada" que serve para atenuar a sentença, mas não para anulá-la.

2 - A justiça humana não conhece a "justificação" e nem pode conhecer, afinal, justificação implica em que alguém tomou, de fato, o lugar do culpado. Humanamente falando, isto não é possível, só o culpado pode, de fato, pagar pela sua culpa.

E mais: a justiça humana também não faz misericórdia quando perdoa, mas sim quando tira a opressão da costa do oprimido. E é fácil entender isto. Afinal, se o opressor é perdoado., significa que ele continua tendo o poder de continuar. Então, a justiça humana só será misericordiosa se "IMPEDIR" o iníquo de continuar.

3 - A justiça de Deus funciona nas mesmas perspectivas mas em outras dimensões. Se não, veja: a justiça divina pode condenar a quem a justiça humana considera inocente. E mais: a justiça de Deus pode, coincidentemente, condenar aos quais os homens consideram culpados. E, por último, nós podemos dizer que a justiça de Deus pode perdoar aqueles aos quais a justiça humana não tem o direito de perdoar.

E aqui, neste aspecto, digo isto referindo aos crimes de natureza eminentemente social. Há outros que atingem indivíduos em volta. E há outros que são amplos em seu alcance, ferindo a segurança de toda uma sociedade. Ora, neste último caso, a justiça humana não pode ter o direito de perdoar o culpado. Só Deus pode fazê-lo. E mesmo que isto aconteça, esse ser "agora-perdoado", ainda assim terá que ficar afastado da sociedade.

Encerrando, Lucas diz que os ladrões tem que pagar. Alguns ladrões sentenciados nas duas instâncias. Outros, em se arrependendo, são justificados pelo sangue de Jesus. No entanto, ainda assim, deverão receber a justa punição.

Nesse caso, eles serão condenados juntamente, embora sejam também condenados foram justificados pelo sangue do Cordeiro. Tais pessoas irão do cárcere ao céu.

Referências Bibliográficas

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Tradução NTLH por João Ferreira de Almeida. Sociedade Bíblica do Brasil, Barueri, São Paulo, 1993.

VINDE INFORMA-Visão Nacional de Evangelização, Rio de Janeiro, Brasil. Ano 14, n° 23, 1992.

Votuporanga, 31/10/2015
Ap. Edson Luis Alves dos Santos

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